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Ocupação no Senado quer forçar mudança na reforma trabalhista

Publicado no dia 12 de Julho de 2017
Local: 
Valor Econômico

O senador Paulo Paim (PT-RS) disse nesta terça-feira que as senadoras que ocupam a mesa diretora do Senado só encerrarão o protesto caso haja um acordo para aprovar um destaque à reforma trabalhista que vete o emprego de mulheres grávidas e que amamentam em locais insalubres. Ao seu lado, Jorge Viana (PT-AC) admitiu abertamente que o objetivo é forçar o retorno da matéria para a Câmara dos Deputados, o que ocorrerá caso sejam aprovadas mudanças no texto.

A ocupação começou pouco depois do meio-dia e impediu o andamento da sessão em que estava prevista a votação da matéria, marcada para hoje. Ocuparam a mesa as senadoras Fátima Bezerra (PT-RN), Regina Sousa (PT-PI), Gleisi Hoffmann (PT-PR), Lídice da Mata (PSB-BA) e Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM).

“Nossa intenção é chamar uma reunião do colégio de líderes para ver se há possibilidade de aprovação de destaques”, disse Paim. “O principal é [mudar] o artigo que permitirá emprego de mulheres grávidas em local insalubre. Os demais a gente discute no voto.”

Paim é um dos senadores de oposição que negociam com o líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), e com o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), uma saída para o impasse. Segundo ele, já houve acordo com Eunício para liberar as galerias para pessoas que queiram assistir à sessão. E também para permitir que todos os senadores que desejem falem ao microfone antes da votação.

Jorge Viana defendeu a ocupação como “um ato político” de parte das senadoras, contra uma reforma “que dividiu o país”. “Essa reforma dividiu o país. Agora, dividiu o Senado. É muito grave que o governo queira impor que o Senado não possa mudar o texto”, disse. “O que queríamos e seria razoável é que pelo menos um destaque fosse aprovado por maioria simples e a proposta voltasse para a Câmara.”

Negociação

Eunício destacou Jader Barbalho (PMDB-PA) para negociar com a oposição. Ele esteve reunido no cafezinho do Senado durante cerca de meia hora com os senadores petistas Humberto Costa (PE), Paulo Paim (RS), Paulo Rocha (PA), José Pimentel (CE), Jorge Viana (AC) e o líder Lindbergh Farias (RJ) para negociar a desocupação da mesa. A reunião, testemunhada pelo Valor PRO, serviço de informações em tempo real do Valor, acabou por volta das 14h.

Segundo Jader, o líder do governo, Romero Jucá, baterá o martelo pelo governo sobre se aceita ou não a proposta.

A ocupação da mesa pelas senadoras de oposição começou pouco depois do meio-dia.

Contrariado, Eunício suspendeu a sessão e ordenou que o som e as luzes do plenário fossem desligados até que a situação voltasse à normalidade.

Enquanto os senadores negociavam, técnicos do Senado preparavam um outro auditório do Senado para realizar a sessão de votação da reforma trabalhista, algo que a oposição disse não aceitar.

Representação

O senador José Medeiros (PSD-MT) entrará com uma representação no Conselho de Ética do Senado, por quebra de decoro parlamentar, contra as senadoras que ocupam a mesa diretora.